Neptuno
O oitavo e mais distante planeta — um gigante gelado fustigado por ventos supersónicos de 2.100 km/h, os mais rápidos do sistema solar. O único planeta descoberto primeiro pela matemática e só depois pelo telescópio.
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- PlanetaTipo
- 24,622 kmRaio
- 30.07 AUDistância
- 16.1 hDuração do dia
- 164.8 aAno
- 28.32°Inclinação axial
Um ano em Neptuno dura 164,8 anos terrestres — só completou uma órbita desde a sua descoberta em 1846.
Netuno é o oitavo e mais externo planeta, orbitando o Sol a pouco mais de 30 vezes a distância da Terra — tão longe que a luz do sol leva cerca de quatro horas para chegar até lá e brilha cerca de novecentas vezes mais fraca do que em nosso planeta. É o menor e mais denso dos dois gigantes de gelo do sistema solar, um mundo azul-profundo de hidrogênio, hélio e metano envolvendo um interior quente de água, amônia e rocha. Apesar de receber quase nenhum calor solar, sua atmosfera é a mais violenta de qualquer planeta, impulsionada por ventos supersônicos que ninguém explicou totalmente.
Netuno também ocupa um lugar singular na história da ciência: é o único planeta encontrado primeiro pela matemática e só depois por telescópio. Previsto a partir da atração gravitacional que exerce sobre Urano, foi localizado a menos de um grau de sua posição calculada logo na primeira noite de busca, em 1846 — um triunfo que transformou a gravidade newtoniana de teoria em ferramenta para descobrir novos mundos.
Descoberto no papel antes de ser visto
Na década de 1840, os astrônomos haviam percebido que Urano se desviava de sua trajetória prevista, como se puxado por um corpo invisível mais distante. Trabalhando de forma independente, Urbain Le Verrier, na França, e John Couch Adams, na Inglaterra, usaram essas oscilações orbitais para calcular onde tal planeta deveria estar. Os números de Le Verrier chegaram primeiro a Berlim, e na noite de 23 para 24 de setembro de 1846 o astrônomo Johann Galle, auxiliado pelo estudante Heinrich d'Arrest, avistou Netuno a cerca de um grau do ponto previsto. Foi o primeiro planeta cuja existência foi deduzida pela gravidade antes de qualquer olho confirmá-la.
A descoberta foi um marco para a mecânica celeste, e os nomes dos anéis que a Voyager 2 mais tarde inspirou — Galle, Le Verrier, Lassell, Arago e Adams — soam como uma lista de chamada das pessoas envolvidas nessa descoberta. Apenas dezessete dias depois de Netuno ser encontrado, William Lassell identificou sua enorme lua Tritão.
Um gigante de gelo, não um gigante gasoso
Netuno tem um raio de cerca de 24.622 km — quase quatro vezes o da Terra — e concentra cerca de 17 massas terrestres nesse volume, o que o torna o mais denso dos quatro planetas gigantes. Ao contrário de Júpiter e Saturno, que são esmagadoramente compostos de hidrogênio e hélio, a maior parte da massa de Netuno é um fluido quente e denso de 'gelos': água, metano e amônia, em camadas sobre um núcleo rochoso do tamanho aproximado da Terra. É essa composição que faz com que ele e Urano sejam agrupados separadamente como gigantes de gelo.
A face visível é uma atmosfera de hidrogênio e hélio entremeada de metano, que absorve a luz vermelha e reflete a azul — a origem da vívida cor cobalto de Netuno, mais profunda e mais saturada que a do pálido Urano. As temperaturas no topo das nuvens ficam perto de menos 200 graus Celsius, mas Netuno irradia cerca de 2,6 vezes mais energia do que recebe do Sol, revelando uma poderosa fonte interna de calor que ainda intriga os pesquisadores e que ajuda a impulsionar seu clima feroz.
O mundo mais ventoso do sistema solar
A atmosfera de Netuno é açoitada pelos ventos sustentados mais rápidos já medidos em qualquer lugar do sistema solar. Nas bordas de suas tempestades, a Voyager 2 registrou rajadas de cerca de 2.100 km/h — supersônicas e muito mais fortes que qualquer coisa em Júpiter ou na Terra. Faixas brilhantes de cirros de gelo de metano, em grande altitude, projetam sombras sobre o manto de nuvens abaixo, e todo o sistema gira em cerca de 16 horas.
A característica mais famosa foi a Grande Mancha Escura, uma tempestade anticiclônica do tamanho da Terra, fotografada pela Voyager 2 em 1989 e que lembrava fortemente a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Quando o Telescópio Espacial Hubble observou o local alguns anos depois, a mancha havia desaparecido, e novos vórtices escuros surgiram e sumiram desde então em outras partes do planeta — evidência de que, ao contrário da tempestade secular de Júpiter, as grandes manchas de Netuno são transitórias, formando-se e se dissolvendo ao longo de anos.
Anéis, arcos e uma família de luas
Netuno está cercado por um conjunto de anéis tênues e empoeirados, confirmados apenas com a chegada da Voyager 2. O mais incomum é o anel Adams, o mais externo, onde a poeira se aglomera em arcos brilhantes — chamados Liberté, Égalité, Fraternité e Courage — que desafiam a expectativa de que o material dos anéis deveria se espalhar uniformemente, e que se acredita serem pastoreados pela pequena lua Galateia.
O planeta tem 16 luas conhecidas, e uma domina completamente: Tritão, que detém mais de 99% da massa que orbita Netuno. Tritão é a única lua grande do sistema solar que gira ao redor de seu planeta ao contrário, na direção oposta à rotação de Netuno. Essa órbita retrógrada e fortemente inclinada a marca como um objeto capturado do Cinturão de Kuiper, e não uma lua nascida junto com o planeta. Com cerca de menos 235 graus Celsius, está entre os corpos mais frios já medidos, mas a Voyager 2 flagrou gêiseres de nitrogênio jorrando vários quilômetros acima de sua superfície rosada, com textura de melão — um mundo congelado que ainda está geologicamente vivo.
Uma visita, e um ano distante
Apenas uma única espaçonave já alcançou Netuno. Em 25 de agosto de 1989, ao fim de sua Grande Turnê pelos planetas exteriores, a Voyager 2, da NASA, passou a cerca de 4.950 km acima do topo das nuvens do polo norte de Netuno — sua aproximação mais próxima de qualquer planeta desde que deixou a Terra em 1977. Em poucos dias, descobriu seis novas luas, confirmou os anéis, mapeou a Grande Mancha Escura e revelou os gêiseres de Tritão, e então curvou sua trajetória para o sul, rumo à saída do sistema solar. Nenhuma missão retornou desde então, e vários orbitadores e sondas propostos levariam bem mais de uma década só para chegar até lá.
A distância de Netuno também estica seu calendário. A uma distância média de 30,07 UA, leva cerca de 164,8 anos terrestres para completar uma órbita, de modo que só terminou sua primeira volta completa desde a descoberta em 2011 — um único ano netuniano abrangendo toda a história moderna do estudo do planeta.
Como localizar Netuno
Netuno é o único planeta principal nunca visível a olho nu; com magnitude em torno de 7,8, sempre exige binóculos ou telescópio. Com uma boa carta celeste ou um aplicativo de astronomia para localizar sua posição, que se move lentamente entre as estrelas de fundo, binóculos bem estabilizados o mostrarão como um ponto de luz tênue. Um telescópio pequeno, com aumento maior, consegue apenas resolvê-lo em um pequeno disco azul-acinzentado — o suficiente para distinguir o planeta mais distante das estrelas ao redor, embora seus detalhes de nuvens e seus anéis continuem sendo domínio de espaçonaves e grandes observatórios.
Em números
| Tipo | Planeta |
|---|---|
| Orbita | Sol |
| Raio médio | 24,622 km |
| Massa | 1.024 × 10²⁶ kg |
| Distância orbital média | 30.07 AU |
| Período orbital | 164.8 a |
| Período de rotação | 16.1 h |
| Inclinação axial | 28.32° |
| Inclinação orbital | 1.77° |
| Destaque | 16 luas conhecidas, a maior é Triton |